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domingo, março 29, 2009

A ultima do imbecil

O último comentário do imbecil chegou até por aqui.

Como pode o presidente de um país ser tão sem-tato, tão sem-noção?

Pra quem acha que não foi nada de mais, imagina se fosse "o atraso do Brasil é por causa de todos os pretos de cabelo enrolado". Da até nojo escrever uma coisa dessas.

O imbecil devia estar procurando um buraco pra enfiar a cabeca.

quinta-feira, junho 26, 2008

Jandira Feghali

Junto com Marta Suplicy é outra que eu odeio. Essa spammer (a Jandira) me manda emails ha anos com sua ladainha comunista.

Nao adianta pedir pra sair, nao adianta espernear. Spammer é coisa ruim. Comunista é coisa ruim. A Jandira junta os dois. Haja paciência.

Certa ocasiao ela me mandou um spam copiando todos os destinatarios na mensagem (spammer tambem é burro). Fiz o favor de responder pra todo mundo informando a vaca que ela era por incomodar a todos com sua lenga-lenga. Nao demorou para um de seus sequazes vir dizer que ia me processar. Chorou mas me tirou da lista.

Dia desses resolvi mandar um email para camara - se me serve a memoria foi para reclamar da votacao do aumento de salario em 2005, defendido pelo Severino Cavalcante. Por azar a Jandira recebeu tambem meu email e, claro, me colocou de volta na lista de spam dela.

Sao nessas coisas pequenas que a gente descobre os principios das pessoas. A Jandira nao tem nenhum.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

"Você me pertence"

Não adianta festejar que o Brasil agora consta entre os países desenvolvidos, segundo o IDH da ONU.

A febre amarela segura o país pelo colarinho e arrasta de volta para a realidade: vem cá que você me pertence!

domingo, setembro 09, 2007

Drogas

Fico feliz de ver o discurso sobre as drogas mudando no Brasil e na Austrália. Li ontem uma reportagem no SMH que resolvi traduzir, ainda que meio nas coxas. Link para a reportagem original.

A hipérbole pode alucinar da mesma maneira se a mensagem for ignorada
Lisa Pryor
8 de Setembro de 2007

Muito obrigada, Steve Fosset. Aqui estava eu, nesta mesma coluna semana passada, escrevendo sobre como usuários de drogas recreacionais não são diferentes dos aventureiros que arriscam suas vidas à procura de emoção. Então Fosset cai, como um avião dos céus de Nevada, no meu colo para provar meu ponto. Enquanto a busca pelo milionário desaparecido continua pelo terreno rochoso ao sul de Reno, minha imaginação se desvia para considerar como este acontecimento teria sido noticiado se ele tivesse sido derrubado por drogas ao invés de um mono-motor Citabria Super Decathlon.

Perguntas surgiriam. O que poderia ter de errado com um milionário que aparentava ter tudo na vida e ainda assim se arriscava loucamente em aviões e balões? Como podemos impedir que outras pessoas de meia-idade pensem que esportes radicais não são arriscados? Seria o sistema de saúde culpado por não identificar o problema da crise de meia-idade?

O obituário, se, Deus nos livre, acontecer, seria morno. Seria irresponsável glorificar um homem cuja dose de adrenalina era mais importante que sua própria vida.

Estou batendo na tecla das drogas mais uma vez esta semana. Na semana passada clamei por um debate sobre as drogas que reconheça os prazeres e os riscos das drogas recreacionais.

Enquanto é louvável descorajar adolescentes de estragarem seus cérebros em desenvolvimento, drogas em festas são mais passíveis de serem usadas por adultos, alguns deles sensatos. A pesquisa de 2004 para estratégia de drogas em domicílios mostrou que a idade típica em que se experimenta ecstasy é 22.8 anos. Para cocaína, 23.5. Até mesmo para maconha, 18.7.

Minha preocupação é que as campanhas de terror hiperbólico do governo deixem as pessoas menos seguras se elas começarem mesmo a usar drogas aos 22.8 anos. Quando a mensagem anti-droga é demasiadamente lúrida, toda a mensagem é ignorada. Quando alguém experimenta uma droga e descobre que nem sempre ocorre náuseas e tontura, levando à prostituição e morte, é fácil esquecer que as drogas devem ser tratadas com cuidado, como porcelana ou arraias.

Usuários podem terminar se apoiando na cultura popular da droga, ao invés da ciência, para manter sua segurança. Por exemplo, já ouvi pessoas dizerem que "cocaína não dá overdose". A verdade é que cocaína foi a causa da morte de 10 pessoas em 2005, de acordo com o departamento de estatísticas.

Também já ouvi pessoas dizerem que "ecstasy é inofensivo". A verdade é que estudos mostram que pode haver uma relação entre ecstasy e perda de memória. Um estudo da Universidade de Amsterdam, liberado em Junho, revelou que o ecstasy afetava a memória verbal mesmo quando utilizado por pouco tempo. Essa relação não foi provada conclusivamente mas qualquer um que tenha tentado contar o troco até 24 horas depois de tomar um comprimido provavelmente suspeita que há alguma verdade nisso.

A apologia indiscriminada às drogas é tão errada como a condenação indiscriminada. Mas mesmo que existam conseqüências para a saúde, colocar usuários na cadeia não ajuda ninguém.

Que tipo, então, de política deveríamos aplicar às drogas? Como podemos reconhecer que ingerir esses prazeres químicos pode ser uma escolha racional ao mesmo tempo que reconhecemos que as drogas destroem as vidas de algumas pessoas? Como podem as leis beneficiar os responsáveis e também proteger os incautos?

Deveríamos abolir as sanções criminais para uso pessoal de drogas e, ao invés disso, focar no tratamento e aconselhamento. Deveríamos ter penas para pessoas que usam drogas e dirigem ou que fornecem drogas para menores de idade. Enquanto estamos nas sugestões, deveríamos proibir doações partidárias por parte da indústria química, tabaco e álcool para que o governo não favoreça as drogas que são legais atualmente.

Eu plagiei tudo isso do Partido Verde (Greens). Adoro uma isca para hippies tanto quanto o próximo, portanto fiquei surpresa ao me ver concordando com sua política para as drogas.

Fiquei surpresa sobre quão moderadas foram as respostas sobre os comentários do Governador, Morris Lemma, quando disse durante a última campanha eleitoral que a política do partido verde era uma tentativa de "descolar publicidade barata", "um absurdo, uma política ridícula e nojenta" e "desiquilibrada e estúpida".

Os insultos são mesmo uma pena. Se ao menos alguns de nossos líderes políticos tivessem a coragem e audácia do Steve Fossett.

sábado, setembro 08, 2007

A culpa é tua

Na onda de apontar o dedo para o espelho, me identifiquei com um dos textos do CyberLeo.
Lembrei de um email do ano passado, que mandei pro Valladares e esbarrei com um outro texto no blog do Zezo.

Como esse último não tem link direto para os posts, reproduzo o texto aqui.
Provocação, ou Mazarin atualizado

Brasileiros sempre tivemos mania de reclamar dos governantes.

Reclamamos dos administradores das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores.

Reclamavamos dos presidentes da Velha República e da República Velha,

dos militares, de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, de Lula...

Não reclamamos de Tancredo Neves porque morreu antes da posse!

No último pleito elegemos novo presidente, novo governador, novos deputados...Ou os mesmos?

Os mesmos, mas continuamos a reclamar.

Sabe por quê?

Porque o problema não está nos deputados, senadores, presidente, governador, prefeito, funcionário ...

O problema está naquele que reclama: nós! .

Afinal, o que se poderia esperar de um povo que sempre dá um jeitinho? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio?

Um povo que aplaude o vencedor do Big Brother, mas não sabe o nome de um escritor brasileiro?

Um povo que admira quem fica rico da noite para o dia sem trabalhar? Ri quando consegue puxar tv a cabo do vizinho? Sonega tudo o que pode e, quando pode, sonega até o que não pode!?

O que esperar de um povo que não sabe o que é pontualidade? Joga lixo na rua e reclama pela sujeira?

O que esperar de um povo que não valoriza a leitura

O que esperar de quem finge dormir quando um idoso entra no ônibus? Prioriza o carro ao pedestre?

O que dizer de um povo que elege o Maluf de novo ?...Que elege um Clodovil ?

O problema não são os políticos; são os eleitores!

Os políticos não se elegeram; fomos nós que votamos neles.

Político não faz concurso, ganha votos: o seu e o meu!

Pense nisso!

Um abraço!

quinta-feira, agosto 30, 2007

Uma pergunta

Por que é que a gente ainda não juntou todos os nove estados do Nordeste em um só?

De repente deixava a Bahia de fora e fazia só um estado com o resto: Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Podemos chamar de Sealpeparicepima. Do norte! Sealpeparicepima do norte.

Só nessa união a gente já reduzia para 1/8 o número de estados com problemas de seca. Reduzia também o número de deputados, senadores, vereadores e todo o resto que vem no pacotão de um estado.

Sério. Não faz sentido ter pra lá de vinte estados se a maior parte do PIB está concentrada em cinco ou seis. Aqui na Austrália, um país um pouco maior que o Brasil, são sete. E olha que eu acho que a Tazmânia só é estado porque é uma ilha, senão faria parte de Victoria.

Alguém aí me tira essa dúvida? Qual a vantagem de se ter oito diferentes estados ao invés de um? É só uma herança das capitanias que ninguém lembrou de mudar?

sexta-feira, agosto 24, 2007

Redução de danos

Começou essa semana na Austrália uma campanha nacional (em inglês) contra uso de drogas por adolescentes. Para os críticos da Dra. Maria Tereza e o Bala da Boa surge mais uma campanha que faz uso e incentiva o diálogo direto ao invés do batido e infrutífero "drogas matam".

Panfletos com orientação aos pais serão enviados para TODAS as residências do país.

Deviam mandar umas amostras também, que é para não haver dúvidas sobre qual droga está sendo discutida em dado momento.

segunda-feira, agosto 13, 2007

GOOD COPY BAD COPY

Este documentário dinamarquês fala sobre a lei de direitos autorais, especialmente no que concerne a RIAA e MPAA (música e filmes, respectivamente).

O filme explica a guerra da indústria contra a pirataria e porque essa guerra está perdida. Conta ainda com a presença do pessoal Tecno-Brega, em Belem do Pará, e de um professor da FGV.

Passagem notável 1:
Se juntarmos 600 milhões de pessoas no mundo todo pagando uma taxa de $50 ao ano para consumir música, teremos o valor atual da indústria.
Passagem notável 2:
O público não se importa em dar dinheiro para os artistas; o público se importa em dar dinheiro para as grandes corporações.
Amém, irmão.

O filme pode ser baixado de graça no site mas eu doei $5. Mostre que você entendeu o problema e faça o mesmo - não chega ao preço de uma ida ao cinema.

Você vai precisar de um programa que leia torrents; eu recomendo o uTorrent (download v1.7.2). Por último: o filme tem o áudio original com legendas em inglês.

quarta-feira, julho 25, 2007

Brigadeiro queimado

Citação do brigadeiro José Carlos Pereira na Folha do dia 19:
"O avião pousou na pista com 110 nós. Depois de percorrer 1.900 metros, ele atravessa a pista e se projeta em cima de um edifício a 110 nós. Ele não desacelerou, certo? Isso significa que não reduziu a velocidade. Um escorregão [na pista] nunca aumenta a velocidade do avião, só diminui. Se é contra a lei da pista, alguém vai encontrar explicação para isso", disse o brigadeiro.
Discurso repetido no dia 23, também na Folha:
"Volto a afirmar: o resultado das investigações vão comprovar que não há relação direta com a pista. O resultado das caixas pretas vai confirmar o que digo."
Agora há pouco li no Estadão do dia 24:
"A informação que temos é que o avião pousou em velocidade normal, dentro do padrão do Airbus. E que colidiu a 175 km/h, o que é menor que a velocidade do pouso. O que ocorreu entre um ponto e outro é a análise mais detalhada da caixa- preta que vai dizer", afirmou o deputado Efraim Moraes (DEM-PB), por telefone.
O brigadeiro ficou mais doce entre os dias 19 e 23, atitude mais que sensata, principalmente agora que ficou provado que a velocidade no momento da colisão era 94 nós, e não 110. Dá uma diferença pequena, um pouco menor que 30km/h. Mas o problema é grande.

Para aliviar um pouco o peso do assunto, sugiro colocar o brigadeiro, com sua "lei da pista", para discutir com o Galvão Bueno, que defende a "lei do gramado". Segundo várias narrações do gavião, em dia de chuva a bola "rebate no gramado, pega velocidade e desvia pro gol".

sábado, julho 21, 2007

Fissura

Tem gente que é viciada em música. O Pedro contava os minutos antes de ir para a escola para dar tempo de ouvir mais uma música. O Léo não passa mais que três minutos em um carro sem dizer "bota um som aí". Eu gosto de ouvir música no banheiro - é aonde meu iPod e caixas de som moram.

Fico imaginando um profissional. A pessoa deve respirar música, não? porque aprender um instrumento demanda uma disciplina que eu nunca tive. Já passei por piano, violão, trompete e atualmente estou pelo baixo. Sou horrível em todos eles mas a curva de aprendizado do baixo, para mim, é a mais gratificante até agora; com pouco treino você já consegue acompanhar uns roques quadradões e depois de um tempo acontece um salto de habilidade para músicas com riffs um pouco mais complicados.

O problema é que esses saltos demoram a dar as caras. Você passa um tempão aparentemente sem melhorar a técnica e de uma hora pra outra, pá! a coisa flui.

Ontem tirei a poeira do baixo depois de quase 2 semanas sem praticar. Saiu um som legal e acho que estou na iminência de um novo salto. Tomara. Minha playlist, por enquanto:

Tocando bem ("bem", aqui, é relativo, ok?):
  • Janie Jones (Clash)
  • Pea (Red Hot Chili Peppers)
  • The Guns of Brixton (Clash)
  • Boys don't cry (Cure)
  • Spanish bombs (Clash)
  • Smells like teen spirit (Nirvana)
  • With or without you (U2)

Tocando mérdio:
  • Rudie can't fail (Clash)
  • Paranoid (Black Sabbath)
  • War pigs (Black Sabbath)
  • Vital e sua moto, versão 90 (Paralamas)
  • Whole lotta love (Led Zeppeling) - não pratiquei muito.
  • Jamming (Bob Marley)
Reconhecível:
  • The magnificent seven (Clash)
  • Dancing in the moonlight (Thin Lizzy)
  • Ska (Paralamas) - essa é difícil porque no meio eu desando para Baggy Trousers do Madness.
  • Police and thieves (versão do Clash)
  • Sunshine of your love (Cream)

sábado, julho 07, 2007

Sem sentido

A nova leva de doutores "terroristas" me intriga: por que todo esse trabalho quando eles poderiam ter matado muito mais gente com uns remedinhos vencidos?

O NY Times disse que os carros-bomba de Londres falharam em detonar por motivos não-divulgados. O motivo: os doutores nunca brincaram com fogo quando criança. Lembra aquela de apagar a vela com um copo?

Então. Fogo precisa de oxigênio e aqueles carros, até onde eu sei, não tinham suficiente para queimar todo o combustível. Vai pegar fogo bonito, lamber por muito tempo, mas não vai explodir - não importa quantos filmes americanos digam que estou mentindo.

Quer saber o que faltou? Pergunta pra rapaziada do IRA. Eles sabem que a boa é misturar óleo diesel com nitrato de amônia (NH4NO3, reparou quanto O tem ali?), também conhecido como fertilizante. Mas isso ninguém lembra porque a boa é deixar a população se cagando, logo, qualquer palhaço hoje em dia é terrorista.

Terrorismo é a nova guerra-fria. Vamos manter todo mundo assustadinho.

sexta-feira, julho 06, 2007

O mercado

Pela primeira vez desde 1997 estou procurando emprego. Não sei se no Rio foi sorte ou talento que sempre trouxe a oferta para mim; talvez a rede de contatos, provavelmente o pot-pourri, difícil saber. Vindo pra Sydney calculei meu pé-de-meia para durar três meses sem emprego. Gastei pouco e comecei a trabalhar como cozinheiro em dois meses, o dinheiro deu de sobra. Para quem interessar, calculei gastar em torno de AU$400 por semana (200 moradia, 100 comida, 100 transporte/diversão e o que mais sobrasse).

Em Março deste ano, voltando de férias, não procurei emprego com muita gana. Dei umas olhadinhas, mandei alguns currículos, mas tudo sem muito compromisso já que a Q-Free me chamara para um "frila". Em Abril comecei a procurar com mais gosto.

Aprendi a evitar as empresas gigantescas de recursos humanos. Vagas anunciadas pela Hays eu nem olho mais; todas as posições de TI passam pela mão de uma tal Kristie Comarmond, que conheci no ano passado e me colocou numa entrevista com a Bulletproof. Não entrei na empresa simplesmente porque, quando perguntado sobre meus defeitos, disse que não gosto de ser interrompido. É verdade - odeio ser interrompido. Acho que foi uma bênção disfarçada. Tenho impressão que aquilo seria uma reencarnação da Cipher.

Mas me desviei do assunto. Evito a Kristie porque todos meus contatos com ela esse ano começaram e terminaram assim: "me manda o seu currículo e a gente vai se falando". Seu currículo, nesses mamutes do RH, vai para uma base de dados e por lá fica, junto com outros milhares. Muito por acaso alguém vai esbarrar com seu CV, talvez porque uma busca encontrou aquelas dezenas de acrônimos que você colocou no fim: DBA, CCNA, MCSE, CISSP, SQL, RHCP, A+, MVP, PQP. Uma vez por ano, caso seu currículo preste, algum estagiário vai te ligar para saber se você ainda pode ser encontrado, caso contrário DEL no seu arquivo.

Aprendi a ligar para o agente antes de mandar meu currículo e puxar um papo. Qualquer coisa vale, eu invento. Geralmente pergunto se a vaga é nova ou de alguém que saiu. Se saiu, por quê? Onde fica a empresa? Quem controla? É SA? Limitada? Holding? Quantos empregados? Qual a possibilidade de trocar de emprego internamente? O importante é fazer a ligação durar três minutos ou mais; quando seu currículo chegar a pessoa vai lembrar "ah, esse é o chato que me ligou antes". Mas vai lembrar.

Outra coisa: paciência. Os Australianos são tranqüilos; muito tranqüilos. Demoram até duas semanas para ligarem de volta, mesmo que o emprego seja para começar o quanto antes. E, veja bem, para quem está em casa de papo pro ar duas semanas são uma eternidade mas é importante não aceitar qualquer oferta e se arrepender depois.

Por último, duas épocas ruins para procurar emprego: no começo e meio do ano. Em Janeiro aqui também não se faz nada e, em Junho, é o final do ano fiscal. Muitas empresas vão esperar o final do balanço e o novo orçamento para fazerem novas contratações.

Até agora foi isso que aprendi sobre procura de emprego em Sydney. Espero que ajude alguém. A mim não ajudou :-D.

domingo, junho 24, 2007

Orgasmo e censura

Não sei porque tanto espanto: não é de hoje que a Marta Suplicy fala bobagem (desça no texto, procure pelo título "Marta Suplicy, Jô Soares e Leonel Brizola").

Em 1997 surgiu meu desgosto por ela quando, no programa do Jô Soares, defendeu uma espécie de controle sobre o que vai ao ar na TV. Esse controle, pra mim, já existe e se chama controle remoto. Não gostou? Muda de canal ou desliga a TV.

Pior que ouvi-la defendendo sua idéia foi ver a platéia, na sua maioria estudantes, dando incondicional apoio, vibrando com as asneiras que ela falava. O Jô Soares ficou abismado, eu fiquei revoltado.

Da próxima vez que ela te chocar lembra que ela é mãe do Supla - o cara que cospe na platéia de seus shows.

sexta-feira, junho 22, 2007

Bala da boa

Vi no blog do Nassif e resolvi reproduzir aqui: é o approach "contra" as drogas mais sensato que já vi nos últimos tempos. Bobagem achar que a humanidade vai parar de consumir drogas - até Jesus Cristo tomava seu vinhozinho - sabe Seu pai que outras substâncias aqueles loucos egípcios consumiam antes Dele.

Se não há como proibir, informe.

Enviado pela professora Maria Tereza Araújo Silva

ECSTASY: VALE A PENA INVESTIR NA REDUÇÃO DE DANOS.

Todos conhecemos o problema causado por drogas de abuso, legais ou ilegais. Os meios de comunicação mostram crescente e incessantemente como esse problema afeta o tecido social não só no Brasil como em várias outras partes do mundo. Diante desse quadro, pesquisadores da área se perguntam como contribuir para minorar esse grave panorama.

Existem várias respostas a essa questão, nenhuma delas satisfatória. Uma proposta, defendida por exemplo pela revista The Economist, é legalizar as drogas atualmente proibidas. Isso evitaria o contato do usuário com traficantes e obrigaria o controle farmacológico da substância. As experiências nesse sentido são poucas e inconclusivas. Há mais dados sobre outra proposta, a proibicionista, mas experiências como a Lei Seca nos Estados Unidos indicam a deficiência dessa estratégia, abandonada devido ao aumento da corrupção e da violência ligadas ao comércio ilegal.

A prevenção pelo amedrontamento consiste em transmitir informações parciais, exacerbando malefícios (“droga mata”) de modo dramático. Além de comprovadamente ineficaz, pois não leva à diminuição do consumo, esse modelo freqüentemente desmoraliza o agente de prevenção e prejudica futuras ações antidrogas. Ainda assim, é bastante utilizado no Brasil. Em nosso trabalho, que vem sendo considerado em certos veículos de comunicação como um incentivo ao uso de drogas, adotamos como estratégia preventiva a Redução de Danos (RD).

Apoiada pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Nacional Antidrogas, a RD parte do princípio de que, quando impossível a erradicação de comportamentos de risco, impõe-se minimizar o dano causado por eles. Por exemplo, previne-se o risco de acidentes quando se recomenda que não se dirija depois de ingerir bebidas alcoólicas. Médicos evitam a morte quando aceitam tratar uma mulher que se submeteu a um aborto em condições precárias. Não se trata de aprovar o aborto ilegal, mas de evitar o mal maior. No caso do ecstasy, a RD reconhece que seu uso existe, comporta riscos e precisa ser entendido no contexto das variáveis que o determinam.

Para entender esse contexto, vimos realizando vários levantamentos. Observando a tendência crescente de consumo de ecstasy, não quisemos ficar encerrados no conforto de uma pesquisa que não levasse à ação. Foi o que motivou a elaboração do projeto “Baladaboa”, ora alvo de discussões na mídia, que questiona a validade do financiamento público que lhe foi destinado.

O projeto consiste em levantamento sobre o universo dos usuários de ecstasy, seguido de intervenção com distribuição de folhetos informativos (flyers) em locais freqüentados pela população-alvo e de uma avaliação dessa intervenção. Os flyers contêm informações sobre riscos do ecstasy e recomendações para reduzi-los.

Ao tratar do desconhecimento da composição do comprimido, por exemplo, os flyers recomendam que a dose seja reduzida à metade. Sobre efeitos fisiológicos, informam que a temperatura corporal elevada pode causar coma ou morte. Nesse caso, a orientação é: “Se você pretende consumir ecstasy, evite fazê-lo sozinho, tome líquidos não-alcoólicos sem exagero, vista roupas leves e descanse a cada meia hora quando dança”. Sobre danos de curto e médio prazo, descrevem as conseqüências psicológicas geradas pela droga, como ataques de pânico, quadros paranóides e depressão. Esse flyer, especificamente, recomenda que o usuário observe se o consumo de ecstasy vem sendo prejudicial e procure auxílio profissional se necessário. Quando a informação dada é sobre o perigo de associação do ecstasy com outras drogas, recomenda-se evitar essa associação e atentar para a interação tóxica que pode ocorrer com os muito utilizados antidepressivos.

Até sábado último, a avaliação da ação apresentava índices altamente positivos. A quase totalidade dos respondentes afirmou que o projeto deve ter continuidade, e mais de 70% dos respondentes usuários declararam que o projeto causou ou vai causar mudanças em seu comportamento relativo ao ecstasy. Assim, os flyers distribuídos vinham atingindo seus objetivos e seu público-alvo.

É um grande equívoco confundir Redução de Danos com apologia da ilegalidade. O uso de substâncias ilíticas ganhou há muito tempo dimensões alarmantes como problema de saúde pública. Projetos inovadores como o Baladaboa merecem apoio e aplicação de recursos públicos, pois trazem uma visão lúcida no trato de temáticas contemporâneas, constroem dados de referência para análise e trazem ganhos sociais e econômicos ao preservar a vida de pessoas expostas ao consumo de drogas.

Maria Teresa Araujo Silva, 67, professora titular de psicologia da USP

Stella Pereira de Almeida, 43, pós-doutoranda de psicologia na USP

quarta-feira, maio 23, 2007

Rio 2007 Pan-demônio

O artigo do New York Times termina assim:

Uma vez que Brasileiros estão acostumados a correrias de última hora, acredita-se que apesar das preocupações com prazos, custos e qualidade das obras, todos os espaços esportivos estarão prontos para o início dos Jogos.

E a Riotur, há dois anos atrás, ainda queria perder tempo processando os Simpsons - essa brincadeira dos Jogos Pan-Americanos vai queimar muito mais filme do que qualquer desenho animado.

E aí o Juca Kfouri cantou a pedra: na hora da pressa a grana vai fluir fácil. Eu não ligo - o dinheiro é de vocês mesmo.

segunda-feira, maio 07, 2007

Se correr o bicho pega

E se ficar o bicho come, certo? Que o diga um Australiano chamado Hew Griffiths, que esta semana foi extraditado daqui de New South Wales para os Estados Unidos por crimes de direitos autorais. Leia a notícia na íntegra, em inglês.

Eu não tenho palavras para dizer como esse tipo de coisa me revolta. Não estou dizendo que o sujeito é inocente - lei é lei e tem que ser obedecida, senão vira bagunça. O que me ferve o sangue é a maneira como a carroça sempre passa na frente do boi quando a grana está empurrando.

Por que nunca prenderam um Nigeriano que dá o "golpe do 419"? Ou quem vende remédio (falso, geralmente) ilegalmente pela Internet? Ora, porque prender quem distribui gratuitamente aplicativos de empresas norte-americanas vem antes, bem antes, na pauta.

Mais incrível ainda: inverter a chamada da matéria. Cidadão norte-americano é extraditado para ser julgado na Austrália etc. Se o desgosto pelos EUA cresce por aqui, pense no que passa na cabeça de um talibã desses da vida. Ou de um Sudanês? De alguém das Filipinas? Cuba? Nicarágua? A lista de inimigos do Tio Sam é longa; haja Torres Gêmeas.

Alguém aí pode me dizer um país que não seja puta dos Estados Unidos da América? acho que vou me mudar de novo.

domingo, maio 06, 2007

O grande irmão 2

Falei ontem sobre o causo das câmeras no Reino Unido e lembrei de um que aconteceu aqui, no nosso prédio, na noite do ano-novo.

Lá pra Setembro do ano passado, se não me falha a memória (e provavelmente me falha), instalaram uma câmera na cobertura do prédio, na área da piscina. Aquilo me revoltou - foi uma afronta ao meu direito de ver as meninas do prédio de top-less. Não sobrou uma!

Pois bem: fui reclamar com o rapazote, que chamam de "gerente do condomínio" - os prédios aqui, ao menos os que morei, não têm síndico mas um funcionário, encarregado em tempo integral dos afazeres gerais do condomínio. Minha desculpa era dizer que a câmera era uma invasão de privacidade - e nem é desculpa, realmente acho uma sacanagem. Mas a sacanagem maior, que me levou a reclamar, foi a fuga em massa dos mamilos expostos.

Pra resumir, a câmera continua lá. E na volta da nossa viagem, em Março, não pude deixar de notar que o telhado do prédio em frente havia recebido uma plástica. Fui saber da história: na noite de ano novo jogaram uma CADEIRA da cobertura. Veja bem, não foi qualquer cadeira, mas uma daquelas espreguiçadeiras de piscina, manja?

Nunca descobriram quem foi: a câmera está apontada pro lado errado. Foi meu primeiro schadenfreude do ano.

sexta-feira, março 30, 2007

George Benson & Al Jarreau

Depois do aquecimento banho-maria com o rapazola cujo nome esqueci, uma mistura de Jamie Collum com Jack Johnson e James Blunt, ficamos de molho mais uma meia hora até o evento principal da noite começar.

O show do novo álbum Givin' it up abre com um faroférrimo pout-pourri das dez mais do George Benson para posterior entrada de Al Jarreau, que faz uma graça e convida o guitarrista para um dueto de Breezin'.

Em seguida o George Benson dá boa-noite e some por uma meia hora, enquanto Jarreau segue cantando Your Song. O repertório foi totalmente comercial, pra tristeza da Debbie que estava na esperança de ouvir Giblet Gravy (amostra na Amazon).

Eu passei todas as músicas do Al Jarreau sem ouvir o baixo. Quando o George Benson voltou e o baixista dele entrou em ação deu pra ouvir um pouco melhor mas ainda assim lá no fundo. Ainda pela cozinha, o batera espancou.

Não entendam mal: o show foi bom. O cara é uma lenda (e não envelhece - esses pretos são foda! passam 20 anos e o cara só ganha uns quilinhos) e a mulherada curtiu muito. Mas foi comercial. Ponto alto, pra mim, foi o dueto de Tutu, do Miles Davis.

Pronto. Agora já posso jogar fora o papelzinho com as anotações.

sexta-feira, março 02, 2007

Diferencas culturais

Uma otima e manjada desculpa para sair de enrascadas sociais é culpar sua cultura: "poxa, meu bem, no Brasil é super normal olhar para a bunda de outras mulheres na rua". Claro que o exemplo é bobo porque fui eu que inventei mas serve pra ilustrar.

O Andre jamaicano me deu um exemplo melhor ontem, num papo nao-relacionado, sobre o genero dos objetos. Ele estava tentando entender por que "legislacao" é feminino enquanto "coracao" e "grama" sao masculinos. Que eu saiba nao tem regra; é porque é.

Pra retribuir ele me contou porque alguns indianos passam por mal-educados. Aparentemente, naquela lingua, nao existe "por favor". Quando querem ser gentis o proprio verbo é modificado. Algo como dizer "passe o sal" ao inves de "me da o sal". Interessante.

Nisso lembrei do quebra-quebra em Cronulla ha mais de um ano atras, em Dezembro de 2005. Os Australianos sao, em geral, bem humorados, animados, liberais. Os Libaneses e outros imigrantes muculmanos sao, em geral, reprimidos; principalmente nao estao acostumados a ver mulheres gatas de biquini na praia. Em seus paises, mulher vestida desta maneira é puta, e assim sao tratadas. Nesse caso a desculpa nao colou.