terça-feira, junho 27, 2006

A última da cozinha

Depois de visitar nossa próxima moradia no último sábado tive fome. Queria fazer a conserva de batata calabresa que mamãe ensinou e um singelo estrogonofe. Os deuses da cozinha, porém, se opuseram às minhas vontades e, quando liguei o fogão, enviaram um sonoro estalo seguido do silêncio que só existe onde não há eletricidade. E um pouco depois o grito do Simon, no andar de cima: "o computador apagou, o computador apagou!".

O engraçado é que ele estava terminando um e-mail justamente para o agente do nosso apartamento atual, explicando que não iríamos renovar o contrato. Eu já tinha dito que o e-mail estava bom, era aquilo mesmo, pode enviar; mas não. Ele ficou conferindo e re-redigindo até o fogão dar o curto que nos deixou sem eletricidade pela maior parte do sábado.

Oitenta-e-cinco dólares e um dia mais tarde, ainda estamos esperando o técnico do fogão. Faminto e brasileiro, dei um jeito. Preparei em 40 minutos um prato que levaria 20 mas ficou bom e no fim valeu a pena; não é todo dia que se janta à luz e combustível de velas.

De barriga cheia, fui ler uma revista; como toda boa mãe de brasileiro no exterior, a minha mandou a Veja entre as cuecas e cachaças do último pacote. Vou te contar - edição especialmente indigesta essa. Na minha desqualificada e (nem tão) humilde opinião o Lula é muito ladrão ou muito ignorante. Nenhuma das alternativas traz vantagens para o Brasil, portanto, faço questão de votar nas próximas eleições. Alguém tem aí o telefone da embaixada?

quinta-feira, junho 22, 2006

Fenômeno

Não é ele, sou eu. Há cerca de uma semana esqueci a senha do meu cartão. Fazia tanto tempo que eu não tinha dinheiro na minha conta australiana, e portanto não podia fazer saques, que acabei esquecendo a senha. Percebi o lapso a caminho do caixa eletrônico mas continuei andando, na esperança que uma olhada para o teclado desencadeasse as sinapses que faltavam para despertar os neurônios detentores da informação.

Ia sacar um pouco mais de dinheiro mas não quis parecer ganancioso naquele momento de incerteza - de alguma maneira eu imaginava a máquina desconfiada: "2963? 400 dólares? Sei... Ok. Um momento por favor enquanto eu chamo a polícia". Acabei conseguindo fazer o saque naquela manhã. Lembrei a senha de primeira! os mecanismos da memória humana são notáveis.

Era uma sexta-feira, se novamente a memória não me falha. De noite acabei precisando de mais dinheiro e, adivinha só? Esqueci a senha de novo! Sério mas moleza. Afinal, o truque do teclado funcionou de manhã, não teria porque falhar de noite.

CARTÃO BLOQUEADO. FAVOR DIRIGIR-SE A UMA AGÊNCIA.

O mundo está cheio de pequenas ironias. O cartão é bloqueado na suposição de que foi roubado e alguém está tentando sacar dinheiro que não lhe pertence. Por que, então, a simpatia? Que escrevam "Favor dirigir-se à delegacia mais próxima, seu pústula".

Enfim. Noite de sexta-feira, faminto, cartão simpaticamente engolido pela máquina, sem um tostão no bolso e começando a chover. Fui em casa e peguei meu cartão brasileiro, que pagou as contas da semana, e liguei para o banco. Ontem recebi o cartão novo. Bonito, brilhando, cartinha simpaticíssima do banco; mas sem a senha. Paciência. Mandam separado, né? em outra cartinha. Que é para ninguém roubar.

Hoje, chegando na cidade, recebi a senha nova. Desci do ônibus, caminhei alguns passos na rua York e pã. 3482! 3482? que 3482? de onde eu conheço esse número? Recordei da vez em que liguei para a Teletrim, queria mandar uma mensagem pro Nandinho; a moça perguntou: "teletrim, boa noite, qual o número do pager?". Eu, sem pestanejar, 8714980 - dei o número da minha conta no banco Real. Só percebi depois de desligar o telefone, informado que o número era inválido.

Pois era a minha senha. Recebi a senha por telepatia. Saquei dinheiro e comprei minha red ale pra comemorar. Primeiro mundo é outra coisa.

segunda-feira, junho 19, 2006

Demografico

Metade dos japoneses em Sydney sao paulistas. Descobri isso na semana passada, depois do primeiro jogo do Brasil na copa. As 7 da manha, quando ia pro trabalho, cruzei com uma centena de brasileiros uniformizados, voltando dos pubs onde assistiram a partida.

A rede de TV autraliana SBS, que detem os direitos de transmissao da copa, patrocina anuncios da selecao brasileira nos onibus da cidade. Ao lado da foto de uma torcedora brasileira a peca le, em portugues, "Vai, Brasil. Numero 6 em 2006". Mais do que nunca, depois da derrota ontem, os australianos precisam torcer por uma vitoria do Brasil contra o Japao (o empate deste ultimo contra a Croacia coloca um pezinho da australia na 2a fase).

Os comentarios da midia sobre a partida so aparecem amanha por causa do horario do jogo. A minha prematura impressao e que alguns australianos alimentavam uma esperanca honesta de ganhar do Brasil. Fala serio. O Ronaldo nao esta tao gordo assim (de Ronaldinho ja passou pra Ronaldo - se o Brasil perder vai terminar a copa sendo chamado de Ronaldao).

sábado, junho 10, 2006

Se eu cozinho não lavo

Tenho sempre a impressão que sou o único a passar aspirador no carpete, limpar a cozinha, trocar o saco do lixo e lavar a louça. Às vezes faço até questão desse último porque o Simon, meu colega de moradia, não leva jeito na pia. Quando os pratos não vão ensaboados pro escorredor os talheres vão com comida agarrada.

Essa noite, antes que eu vencesse a preguiça de encarar aquela montanha, a Malin, namorada do Simon, fez a gentileza de colocar tudo na máquina. Eu, do tapete não saí porque estava no meio de uma partida de Scrabble, mas avisei que não tinha mais sabão para a lava-louças.

Criativa, a moça resolveu usar detergente na máquina. A princípio a coisa andou bem - todos os barulhos, cliques e apitos indicavam que a louça estava sendo limpa normalmente. Uma olhada mais cuidadosa revelaria a poça de espuma ao pé da máquina. Bobagem - não há de ser nada.

Tudo aconteceu muito rápido. Quando percebi estava tentando, inultimente, enxugar o chão, lutando contra os volumosos jatos de espuma que a máquina ejaculava.


Precisei ser ágil e lançar mão de quaisquer utensílios ao meu alcance - uma frigideira e um prato fundo - para conter a enxurrada de espuma que parecia não ter fim.

Achei que tivesse contido o ataque mas desesperado fiquei quando a espuma contornou minhas táticas e começou a jorrar pelo ralo da pia.
A última vez que vi tanta espuma foi há mais de 10 anos atrás, na Circus em São Conrado.

Não havia mais jeito. Dei-me por vencido e vim escrever este post para que, caso o pior aconteça e sejamos todos sufocados pela espuma, vocês saibam a causa e a culpada do acidente.

terça-feira, junho 06, 2006

Uma foto por dia (haha - IV)

O Che Guevara dançou; Hendrix foi pintado por cima e pendurado na sala.

segunda-feira, junho 05, 2006

Uma foto por dia (III)

Mural na parede do escritório aqui de casa. A meta é encher a parede de fotos mas acabou a tinta da impressora.

domingo, junho 04, 2006

Uma foto por dia (II)

Vista notúrnica de meu apartamento na Liverpool st. Pra direita King's Cross; pra esquerda Potts Point; ao centro Darlinghurst.

sábado, junho 03, 2006

Schadenfreude

Sexta-feira safada essa de hoje. Fria, molhada e de ressaca. Em Sydney quase nunca chove. Quando acontece é geralmente na 6a-feira, mais ou menos na hora que todo mundo quer ir pra casa. O trânsito fica aquela coisa linda - acho que toda cidade é igual.

O ônibus demorou e quando chegou sobravam pouco mais de 5 assentos. Pois que na minha conta já passávamos um pouco dos 15 passageiros de pé, limitado por lei, quando a motorista parou para desovar uns 2 e bater boca com uma outra tia. Essa outra estava na chuva, num mau-humor do cão, querendo entrar, apesar do limite, e tanto fez que subiu no ônibus. A motorista não gostou muito mas assentiu. A tia não agradeceu e ficou de pé ali pela frente, de cara amarrada.

Chegando na cidade a motorista virou pra trás:

- Dá licença. Você está com um passe verde, não é?
- Sim.
- Então você tem que descer aqui. É o final da seção.

Rapaz, a tia ficou muito fula. Desceu resmungando, numa raiva que saiu até fumacinha da testa dela quando pegou chuva. Vou te contar. No dos outros é refresco mesmo. Não teve ninguém que acompanhou o caso e não riu. Eu? eu tô rindo até agora!

sexta-feira, junho 02, 2006

Uma foto por dia (I)

St. Patrick's day em algum pub (aqui chamam de hotel, sei lá porque cargas d'água) de Sydney. A maior concentração de salsichas desde o sweet home (sweet homem)

quinta-feira, junho 01, 2006

Projeto uma foto por dia

Já deu pra notar que ando numa falta de assunto terrível, não é mesmo? Coisas acontecem mas nenhuma delas é extraordinária o bastante para que eu me lembre de relatar. Por exemplo, hoje fui servido por um garçom que tinha 2 polegares. Sim, todos temos dois polegares mas ele tinha dois na mesma mão. Imagine que se uma das grandes diferenças do homem para o macaco é ter polegares, então quem tem 3 polegares é algum tipo de humano super-evoluído. Ainda assim acabo não comentando coisas desse tipo - devo?

Outra razão pela falta de assunto é que estou bastante envolvido com meu trabalho. Não quero ficar entediando ninguém com detalhes sobre cobrança eletrônica de pedágio, apesar de eu achar duca.

Pois então, sem mais delongas, apresento o projeto "Uma foto por dia". Sempre que faltar assunto, ao invés de um "causo", vou colocar uma fotoca com legenda. Quando começar a faltar foto a gente vê o que faz, combinado? A de hoje é essa aqui.

Detalhe da calçada da Darlinghurst rd., em Kings Cross.